[ Vox populi vox Dei ]

2009-12-31

AO ESPELHO... DA INDIGNAÇÃO...!

RUY BARBOSA
.
Estremeceu a Justiça; viveu no Trabalho; e não perdeu o Ideal
.
(Epitáfio escrito pelo próprio, para a sua pedra tumular)
.
(1849 - 1923)
.
De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver prosperar a desonra,
De tanto ver crescer a injustiça,
De tanto ver agigantarem-se os poderes
Nas mãos dos maus,
O homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
A ter vergonha de ser honesto.
.[Trecho de discurso de Ruy Barbosa há 100 anos atrás]




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Rolando Boldrin interpreta Poema de Cleide Canton
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Título
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SINTO VERGONHA DE MIM
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Sinto vergonha de mim
Por ter sido educador de parte desse povo,
Por ter batalhado sempre pela justiça,
Por compactuar com a honestidade,
Por primar pela verdade
E por ver este povo já chamado varonil
Enveredar pelo caminho da desonra.
.
Sinto vergonha de mim
Por ter feito parte de uma era
Que lutou pela democracia,
Pela liberdade de ser
E ter que entregar aos meus filhos,
Simples e abominavelmente
A derrota das virtudes pelos vícios,
A ausência da sensatez
No julgamento da verdade,
A negligência com a família,
Célula-mater da sociedade,
A demasiada preocupação
Com o "eu" feliz a qualquer custo,
Buscando a tal felicidade
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
.
Tenho vergonha de mim,
Pela passividade em ouvir,
Sem despejar meu verbo,
A tantas desculpas ditadas
Pelo orgulho e vaidade
Para reconhecer um erro cometido
A tantos floreios para justificar
Actos criminosos
A tanta relutância
Em esquecer a antiga posição
De sempre "contestar",
Voltar atrás
E mudar o futuro.
.
Tenho vergonha de mim
Pois faço parte de um povo
Que não reconheço, enveredando por caminhos
Que não quero percorrer...
.
Tenho vergonha da minha impotência,
Da minha falta de garra,
Das minhas desilusões
E do meu cansaço.
.
Não tenho para onde ir
Pois amo este meu chão,
Vibro ao ouvir meu Hino
E jamais usei a minha Bandeira
Para enxugar o meu suor
Ou enrolar meu corpo
Na pecaminosa manifestação
De nacionalidade.
.
Ao lado da vergonha de mim,
Tenho tanta pena de ti,
Povo brasileiro.
.Dados biográficos e
legenda:
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- Ruy Barbosa foi Jurista, Político, Diplomata,
Escritor, Filólogo, Tradutor e Orador brasileiro.
Fotos: recolhidas na net
Vídeo: gravado em 'celular' pelo autor do blog
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Nota: «Qualquer semelhança com outras situações, será subjectiva e entendida como mera coincidência.»

2009-12-30

« O ASTRO REI " SOL " »




.O SOL.
.O Sol é a estrela mais linda
Que ao Homem já deslumbrou!
O Sol é a luz infinita
Onde o Homem não tocou!
O Sol é calor transparente
E nasce p'ra toda a gente!
O Sol, aos animais dá carinhos
Num mistério de esplendor
Faz cantar os passarinhos
As melodias do amor.
O Sol é luz acendida
Que a Terra inunda de vida.
Sol, tem sabor de alegria
E vem a Terra beijar
O Sol é fogo, é magia
Que ao chegar ao fim do dia
Vai caindo sobre o mar.
O Sol faz desabrochar
A flor em cada criança
Quando esta cresce a brincar
E a sonhar em paz e esperança.
.
- Poema: do autor do blog
- Fotos: selecção na net


2009-12-28

«SAUDANDO LOULÉ..., RIMEI PARA ALEIXO !»



.ESTÁTUA de ANTÓNIO ALEIXO em LOULÉ.




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« António Aleixo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Estátua de António Aleixo em Loulé, em frente ao Bar "Calcinha", freqüentado em vida pelo Poeta
António Fernandes Aleixo
foi um poeta popular português.

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Biografia
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Considerado um dos poetas populares algarvios de maior relevo, famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos, António Aleixo também é recordado por ter sido simples, humilde e semi-analfabeto, e ainda assim ter deixado como legado uma obra poética singular no panorama literário português da primeira metade do século XX.
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No emaranhado de uma vida recheada de pobreza, mudanças de emprego, emigração, tragédias familiares e doenças, na sua figura de homem humilde e simples, havia o perfil de uma personalidade rica, vincada e conhecedora das diversas realidades da
cultura e sociedade do seu tempo. Do seu percurso de vida fazem parte profissões como tecelão, guarda de polícia e servente de pedreiro, trabalho este que, como emigrante foi exercido em França.
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De regresso ao seu
país natal, restabeleceu-se novamente em Loulé, onde passou a vender cautelas e a cantar as suas produções pelas feiras portuguesas, actividades que se juntaram às suas muitas profissões e que lhe renderia a alcunha de "poeta-cauteleiro".
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Faleceu por conta de uma
tuberculose, em 16 de Novembro de 1949, doença que tempos antes havia também vitimado uma de suas filhas.
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Estilo literário
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.Poeta possuidor de uma rara espontaneidade, de um apurado sentido filosófico e notável pela «capacidade de expressão sintética de conceitos com conteúdo de pensamento moral», António Aleixo tinha por motivos de inspiração desde as bricadeiras dirigidas aos amigos até à crítica sofrida das injustiças da vida. É notável em sua poesia a expressão concisa e original de uma "amarga filosofia, aprendida na escola impiedosa da vida".

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A sua conhecida obra poética é uma parte mínima de um vasto repertório literário. O poeta, que escrevia sempre usando a métrica mais comum na língua portuguesa (heptassílabos, em pequenas composições de quatro versos, conhecidas como "quadras" ou "trovas"), nunca teve a preocupação de registrar suas composições.
.Foi o trabalho de Joaquim de Magalhães, que se dedicou a compilar os versos que eram ditados pelo poeta no intuito de compor o primeiro volume de suas poesias (Quando Começo a Cantar), com o posterior registo do próprio poeta tendo o incentivo daquele mesmo professor, a obra de António Aleixo adquiriu algum trabalho documentado.
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Antes de Magalhães, contudo, alguns amigos do poeta lançaram folhetos avulsos com quadras por ele compostas, mais no intuito, à época, de angariar algum dinheiro que ajudasse o poeta em sua situação de miséria que com a intenção maior de permanência da obra na forma escrita.
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Estudiosos de António Aleixo ainda conjugam esforços no sentido de reunir o seu espólio, que ainda se encontra fragmentado por vários pontos do
Algarve, algum dele já localizado.
.Sabe-se também que vários cadernos seus de poesia, foram cremados como meio de defesa contra o vírus infeccioso da doença que o vitimou, sem dúvida, um «sacrifício» impensado, levado a cabo pelo desconhecimento de seus vizinhos.
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Foi esta uma perda irreparável de um património insubstituível no vasto mundo da literatura portuguesa. »
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.POEMA A ALEIXO.
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Houve um poeta, um senhor
Que eu muito admiro
A quem não deram valor
Nos tempos em que foi vivo.
Esse poeta nasceu
Na terra que foi dos Árabes
Onde o povo não esqueceu
O valor das suas frases.
O poeta morreu novo
Apenas com meia idade
Esse poeta do povo
Que nos deixou a saudade.
Ele morreu, mas continua
Vivo na nossa memória
Pois o livro que perdura
Ficará na nossa História.
Não é difícil saber
De quem falo e que me queixo
E para ter mais gosto a escrever
Vou falando do Aleixo.
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- Poema: do Autor do blog
- Texto e foto: extraídos da Wikipédia
NOTA:
- Clique nos links verdes: a Enciclopédia enriquece
o conhecimento, e foi o objectivo da transcrição.

2009-12-27

A BLUSA VERMELHA DO MODELO DO ALÉM



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Começara pela "figura", com a audácia arrogante da juventude pletórica e entusiasta de anseios de fácil triunfo, no Atelier da Escola de 'Belas Artes'.
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Um movimento, uma curva, a chama fugidia de um olhar misterioso, exerciam sobre o seu ardente temperamento uma influência impulsionadora, desencadeando-lhe ao mesmo tempo, nos distendidos nervos, uma louca febre de criar.
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Chegava a correr, com a pupila atónica, atrás de um tornozelo bem torneado...
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Então, o colorido rico de uma bela pele feminina de modelo, cintilando saúde ou morbidez deleitosa, excitava-o até à temeridade.
E pedia para que posassem para ele, ainda com ressaibos de infantis ternuras no timbre leve da voz espigada.
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Pouco estudava, obcecado pela paixão dominadora: a pintura.
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Certa manhã, encontrou à esquina da Escola uma rapariga querendo prender nos dedos as primeiras paveias de sol, enrolando os cabelos como raios soltos do astro rei.
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A cor dela impressionou-o.
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Abeirou-se: falou-lhe.
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Não trabalhavava; adoentada. Queixosa do peito por ter carregado, desde muito jovem, com os seis irmãozitos, enquanto os pais labutavam longe, granjeando o pão para os filhotes famintos.
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Comovido, levou-a, através da manhã gloriosa alagada em sol.
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- Tenho agora uma sessão de pintura, vais ser meu modelo. És o tipo exactamente que eu procurava! Pagar-te-ei...
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Ia falando aos borbotões; as palavras saltavam, eram coisas entornadas de um saco aos solavancos.
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A rapariga caminhando, ouvia-o em êxtase. Já nem sentia aquelas garras dolorosas a enterrarem-se minuto a minuto, mais e mais, na sua carne tenra, indefesa.
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- Afinal, ainda servia para alguma coisa! E em casa, desde que despedida de servir por causa da tosse, a pespegarem-lhe sempre na cara, que ela não prestava para nada...!
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Tinham chegado.
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- Mestre...! Hoje trago modelo! - disse-o ainda à porta do atelier, radiante.
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Já tivera vários modelos que a meio do quadro desapareciam, fatigados de estarem quietos. E, na cidade provinciana, modelos profissionais não havia.
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Estava convencido, porém, de que aquela rapariga saberia posar, até o trabalho estar concluído.
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Tinha uma história triste, e uma expressão bem estranha! O fulgor do olhar esquisito, como chama longínqua ou o brilho vindo de dentro de uma braseira em rescaldo...
A pele dela tinha uma cor carmim, ou talvez a cor da terra húmida de orvalho. Só a blusa vermelha gritava ardências de vida no busto maneiro.
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Ele examinava-a, despia-a com o seu olho atrevido de artista que já se julga arrastado nos anais da glória - olhou só a chama artística, sem sombra de pecado.
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A sessão começou, os contornos precisos do esboço ganharam volume. A rapariga de tão imóvel, parecia uma estátua.
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Duas horas depois, dispensou-a, dando-lhe dinheiro, e pediu-lhe que voltasse passados três dias.
.Ela voltou sem se atrasar um minuto sequer! O retrato ganhava beleza no sombrio do colorido.
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O próprio mestre interessava-se pelo modelo, desenhando-o sob as luzes, enquanto o aluno pintava febrilmente.
.Decorreram semanas. O retrato estava concluído.
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Disse-lhe:
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- Agora, só voltarás a mais uma sessão. Isto está pronto. Uns ligeiros retoques apenas e nada mais!
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Viu-lhe deslizar pelas faces uma lágrima de cristal. Ficou comovido, muito embora sem compreender...
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(...) Chegou a derradeira sessão! A rapariga sentou-se, muda como de costume. Só a blusa vermelha exuberante, como nódoa de sangue.
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Passou uma hora, passaram-se duas horas, talvez.
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Então, o fogoso pintor atirou com os pincéis, e num ansioso ímpeto, foi abraçar o impressionante modelo.
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Porém... só a vermelha blusa agarrou!
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O resto... eram cinzas arenosas...!
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(?!?)
.(...) O que a prendera à vida,... nas últimas semanas, fora aquela ideia de ainda valer para alguma coisa; a sensação de se sentir aproveitada... útil...!
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Agora que estava acabado o quadro, acabara também... sem um queixume, como uma pomba que fecha as asas para dormir,... sem um rumor de penas...
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Ele olhou para o retrato.
A rapariga lá estava, olhando do Além...
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No chão..., apenas uma roupa feminina de cor vermelha.
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(...)
Passararam-se anos. A vida exigira dele mais alguma coisa. Formara-se em Medicina.
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Algo de que nunca se apercebeu, moldou-lhe a vocação. Trocara os pinceis pelo bisturi. Ao longo dos anos, recordara sempre a rapariga meiga que morrera pousando.
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O retrato estava agora ali na sua frente, depois de uma longa ausência!
Fitando-o, teve a sensação nítida de que a rapariga estava viva!
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Emoção vertiginosa!
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Depois,... levou as mãos à cara, murmurando só para si, ansioso:
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A alma é imortal?!
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A rapariga do retrato, com a sua presença imaterial, enchia a vasta sala ricamente mobilada de meia-luz.
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Ele revivia o o passado na memória visual, enquanto o pensamento estonteado pretendia galgar as muralhas da outra dimensão, onde alegadamente se encontra a cidadela da outra vida...
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Era mais feliz no tempo em que sonhara com a glória de ser pintor de figuras mais ou menos belas, sem cuidar do que existia para lá das fisionomias...!
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Sentia-se só...!
Apenas com um quadro a óleo por companhia...
.Imagem do quadro: in Net
-agendatenini.com/

2009-12-26

«HONORÁVEL, OU... O INDIGNO NEGÓCIO DA CHINA?»







.UM HONORÁVEL HERÓI da PRAÇA da PAZ CELESTIAL.
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LIU XIAOBO
.« TIGRE de TIANNAMEN ».

.Liu Xiaobo, importante activista político chinês, foi condenado esta sexta a 11 anos de prisão, por subversão, depois de ter encabeçado uma petição que pedia amplas reformas políticas e o fim do domínio do Partido Comunista.
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XIAOBO, escritor e ex-professor universitário, passou 18 meses na cadeia após a repressão do movimento pró-democracia da Praça da Paz Celestial (Tiannamen) de Pequim em Junho de 1989 e cumpriu três anos de sentença num "campo de reeducação pelo trabalho", de 1996 a 1999.
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Foi detido novamente em Dezembro de 2008, como um dos autores da "Carta 08", que defendia a democratização da China. O julgamento a que compareceu na quarta-feira, acusado de "subversão contra o poder do Estado", durou apenas duas horas e meia.
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"Tudo o que posso dizer-lhes agora é que são 11 anos", disse a mulher do acusado, Liu Xia.
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Diplomatas relataram que Liu Xiaobo também perdeu os seus direitos políticos por mais dois anos.
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A Amnistia Internacional condenou a pena aplicada a este homem de 53 anos, tendo dito que a liberdade de expressão continua a não existir na China.
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A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, manifestou preocupação com o veredicto e afirmou que a sentença representa um duro golpe à liberdade de expressão.
. "O veredicto marca uma nova e grave restrição à liberdade de expressão na China", declarou.
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Segundo a mulher do activista, ele vai apelar da condenação. O recurso deve ser apresentado em 10 dias a partir de sábado, segundo um dos advogados de defesa, Ding Xikui.
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A imprensa e os diplomatas estrangeiros não foram autorizados a acompanhar o processo nem a leitura do veredicto.
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"É uma condenação muito, muito severa, que reflecte também um endurecimento político que observamos desde a preparação dos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim", disse à AFP Nicholas Bequelin, pesquisador da divisão Ásia da organização Human Rights Watch, baseada em Hong Kong.
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"O Partido Comunista não podia deixar sem resposta o desafio da 'Carta 08'; é uma resposta muito forte.
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Liu Xiaobo é um bode expiatório, sacrificado para enviar uma mensagem", completou Bequelin.
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A "Carta 08" foi inspirada na Carta 77 do fim dos anos 1970 de dissidentes da antiga Checoslováquia.
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Actualmente, tem mais de 10.000 adesões,
segundo a rede
China Human Rights Defenders.
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Comentários:
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- Não foi um simples cidadão que foi condenado. Foi a hipocrisia mundial, em particular a Ocidental ao fazer de conta que está tudo bem e ao ter colocado lá os Jogos Olímpicos, assim como as relações comerciais e industriais. O dinheiro vale mais do que os valores humanos!
A. Franco – 25 Dez 2009 / 14:11

.- Texto adaptado de: Págª. de Esquerda

- Fotos seleccionadas in: net


2009-12-25

« 25 DICIEMBRE È NATALE,... AUGURI A TUTTI »


.Natale del Signore

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.La Casa di Gesu, si trova a Nazareth, probabilmente dove ci fu l'annunciazione dell'angelo. É datada intorno all'anno
Zero

.=+=.

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.Con il Natale tutti i cristiani celebrano la nascita del Figlio di Dio che si fece uomo.

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L’Incarnazione del Verbo di Dio segna l’inizio degli “ultimi tempi”, cioè la Redenzione dell’Umanità da parte di Dio.
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Rallegratevi, oggi è nato il Salvatore.
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Martirologio Romano:
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- Trascorsi molti secoli dalla creazione del mondo, quando in principio Dio creò il cielo e la terra e plasmò l’uomo a sua immagine.
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E molti secoli da quando, dopo il diluvio, l’Altissimo aveva fatto risplendere tra le nubi l’arcobaleno, segno di alleanza e di pace.
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Ventuno secoli dopo che Abramo, nostro Padre nella fede, migrò dalla terra di Ur dei Caldei.
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Tredici secoli dopo l’uscita del popolo d’Israele dall’Egitto sotto la guida di Mosè.
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Circa mille anni dopo l’unzione regale di Davide.
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Nella sessantacinquesima settimana secondo la profezia di Daniele.
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All’epoca della centonovantaquattresima Olimpiade.
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Nell’anno settecentocinquantadue dalla fondazione di Roma.
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Nel quarantaduesimo anno dell’impero di Cesare Ottaviano Augusto, mentre su tutta la terra regnava la pace, Gesù Cristo, Dio eterno e Figlio dell’eterno Padre, volendo santificare il mondo con la sua piissima venuta, concepito per opera dello Spirito Santo, trascorsi nove mesi, nasce in Betlemme di Giuda dalla Vergine Maria, fatto uomo:
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- Natale di nostro Signore Gesù Cristo secondo la carne.

.« PALAVRAS do SUMO PONTÍFICE ».
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Queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro,
e vós todos, homens e mulheres amados pelo Senhor!
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«Lux fulgebit hodie super nos,
quia natus est nobis Dominus.»
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- (Hoje sobre nós resplandecerá uma luz porque nasceu para nós o Senhor).
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[Missal Romano: Antífona de Entrada, da Missa da Aurora no Natal do Senhor].
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A liturgia da Missa da Aurora lembrou-nos que a noite já passou, o dia vai alto; a luz que provém da gruta de Belém resplandece sobre nós.
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Adaptado de:
- Pollicino -internapoli-city

2009-12-21

«PLANTEI UMA ÁRVORE NO INVERNO»





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SOLSTÍCIO de INVERNO
21 de Dezembro de 2009
...não é época de plantação nem de enxertias...
...é a altura das Árvores de Natal enfeitadas e luminosas...
...concentrados nelas,... o mundo esquece a floresta....
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PORÉM
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HOJE... E AQUI..., NASCEU UMA ÁRVORE SEM NOME E BAPTIZO-A
.DE
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« N O V I D A D E »
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Ó minha árvore
Minha amada
Como eu te admiro
Com fruto
Ou desfolhada
Na serra
Ou na calçada
No jardim
Ou na estrada!
Em toda a parte
Tu és bela
E desejada.
Sim,
És tu que me me dás
O oxigénio que eu respiro.
És tu que me dás
O fruto que alimenta a vida.
És tu que respiras o veneno
E em troca me dás
O valor da tua pureza
E sofres a poluição
E o incêndio
Da maldade, da Avareza.
Ó minha árvore querida
Como é grande
a tua riqueza
De amor pela nossa vida!
E o Homem é insensível
E prefere o cifrão
E viver no cimento
Em vez de amar-te
E apreciar-te
Como devia
Com amor
Que é o mais belo sentimento!
Ó minha querida árvore
Ó Deusa da Natureza
E da magia
Na tua imensa beleza
Está o olhar
Dos nossos olhos
Irradiados de luz e alegria!
.N.B.
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"A Poesia e o pão devem ser para toda a gente"
PABLO NERUDA

2009-12-20

« NÃO ESQUEÇAM... AMINETU HAIDAR...! »


.= HAMINETU HAIDAR... VENCEU!...=.
.- A activista Saharaui AMINETU HAIDAR já regressou a casa, a El Ayoun, no Sahara Ocidental, depois de ter sido internada voluntariamente nos cuidados intensivos do Hospital Geral do Arrecife, com vómitos e fortes dores de estômago.
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Esgotada e frágil, a activista declarou que:
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«É um triunfo, uma vitória do Direito Internacional, dos Direitos Humanos, da Justiça Internacional e da Causa Saharaui.
Desejo felicidades à sociedade civil, à plataforma [pelos direitos dos saharauis], a todos os orgãos de comunicação que nos apoiaram, muito obrigada pela vossa presença permanente».
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Haidar estava em greve de fome há 32 dias, reivindicando o direito de voltar a casa desde que as autoridades marroquinas a expulsaram de El Ayoun, quando foi expulsa pelo governo de Marrocos ao regressar dos Estados Unidos, onde se deslocara para receber o Prémio Coragem Cívica da Train Foundation e escreveu nos documentos de embarque «Sahara Ocidental» em vez de «Marrocos».
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Durante o período que passou em greve de fome, suscitou acções de solidariedade de várias partes do mundo e moções da Assembleia da República portuguesa e do Parlamento espanhol, conseguindo reatar o debate em torno da questão do Sahara Ocidental.
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[ Já reconhecidamente Mártir por uma Causa..., espera-se que o Sacrifício de Haidar não tenha sido em vão... com a proverbial 'queda' para lapsos de memória do Povo e das Gentes (...) ]
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- Fotos recolhidas da net e, texto original,
de onde se extraiu adaptação:
Jornal Digital - Notícia.

2009-12-19

«O ESCÂNDALO DO "ACORDO" DE COPENHAGA»




Sábado, 19 de Dezembro de 2009
Frustrante Acordo de Copenhaga “registado” e não “acordado”

Posição final da Quercus sobre Cimeira de Copenhaga

A Cimeira de Copenhaga terminou às 15.30h, hora da Dinamarca, 14.30h em Portugal.

Após o anúncio de acordo feito em primeiro lugar pelos Estados Unidos da América, ontem à noite, negociado principalmente com a Índia, China, Brasil e África do Sul, e que foi alvo da adesão de muitos outros países, incluindo a União Europeia, um longo processo negocial que durou toda a noite veio ainda a ter lugar.

A sessão plenária recomeçaria esta madrugada pelas três da manhã. Alguns países, de entre os quais os menos desenvolvidos, Estados pequenas ilhas e América Central, a não concordarem com a forma como o texto do Acordo de Copenhaga tinha sido elaborado e negociado. Acusaram também o processo de falta de transparência e democracia, o que não deveria ocorrer no quadro das Nações Unidas. Já a sociedade civil, incluindo as organizações não governamentais de ambiente, havia sido praticamente arredada do acompanhamento das negociações num acto nunca até agora verificado em qualquer Cimeira desta natureza.

Apesar da Cimeira estar agora oficialmente terminada, o Acordo de Copenhaga foi apenas “registado” ou “tomado nota” e não “adoptado” pelos órgãos da Cimeira e suscita ainda dúvidas sobre o seu valor e enquadramento. Para tal necessitaria do consenso do plenário, com o voto favorável de todos os países, o que não aconteceu. Assim, o acordo, para além de representar um fracasso na opinião da Quercus é um documento ainda mais fragilizado. Aliás, nem o símbolo da Convenção das Nações Unidas deverá vir estar presente no texto final que, mesmo depois de terminada a Cimeira, ainda recebe algumas correcções.


Falsa partida com muitos culpados

Este acordo é uma falsa partida e não é claro que tenha o apoio dos todos os líderes mundiais. Apesar do que os líderes políticos estão a dizer neste momento, este desenvolvimento não torna o trabalho quase feito: está longe de ser justo e vinculativo. Este acordo tem muitas lacunas reconhecidas aliás publicamente no momento do seu anúncio.Os líderes falharam em conseguir um verdadeiro acordo como prometido. Ignoraram a ciência e guiaram-se por interesses nacionais. Estamos perante um atraso com muitos custos, que podem ser medidos em vidas humanas e em dinheiro perdido. O continuar do Protocolo de Quioto para além de 2012 está ameaçado.

O financiamento acordado representa menos que os subsídios dos países às indústrias de combustíveis fósseis. Os objectivos para reduzir a poluição mantêm-nos no caminho que a ciência diz levar a um aumento catastrófico de temperatura.

Na melhor das hipóteses, estamos agora confrontados com um atraso mortal que significa uma tragédia desnecessária para milhões de famílias. Os impactos vão fazer-se sentir em todos os países e mais drasticamente nas populações mais pobres dos países em desenvolvimento.

Os líderes mundiais precisam de repensar este acordo. Tal como está, irá desmoronar-se assim que analisado com mais atenção. É preciso os líderes mundiais reunirem-se novamente antes de Junho para resolverem os assuntos que ficaram pendentes agora.

Numa análise mais detalhada de alguns culpados, a Quercus identifica:
- os Estados Unidos da América (que não querem assumir por agora metas de emissões ambiciosas e vinculativas),
- a China (que se recusou a ver acompanhado internacionalmente o seu esforço de redução de emissões),
- o Canadá (por trazer uma posição muito fraca para Copenhaga e sem intenção de a melhorar, recebendo o prémio “fóssil do ano” atribuído pelas ONGs, e até
- o Brasil (que teve um Presidente a fazer ontem um discurso com um conteúdo brilhante, mas que pretende uma abertura a projectos inadequados no mecanismo de desenvolvimento limpo e que participou activamente com os Estados Unidos na elaboração do famigerado acordo).

O Presidente da Conferência (Primeiro-Ministro dinamarquês Rasmussen) foi também um contributo para um final confuso e algo infeliz (na última parte já sem ele a conduzir os trabalhos).


Sobre a União Europeia e Portugal

Na opinião da Quercus, é fundamental que a União Europeia se comprometa unilateralmente com uma redução de 20 para 40% das suas emissões de gases com efeito de estufa entre 1990 e 2020 (30% de esforço interno), dado que os a recessão económica e financeira reduziram significativamente os custos das medidas associadas.

A União Europeia deveria desde já ter assegurado a continuação do Protocolo de Quioto para um segundo período pós-2012 e foi demasiado passiva em termos negociais, apesar de reconhecermos a sua liderança. A União Europeia deve confirmar que o processo negocial deve seguir de modo firme o caminho da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas que sem dúvida saiu fragilizado de toda esta negocial surreal e deprimente. Deve também clarificar que a contribuição financeira aos países em desenvolvimento acordada em Copenhaga é adicional.

Portugal tem também desafios pela frente e deve tomar medidas internas mais coerentes, na área do ordenamento do território, promovendo os transportes colectivos, na área da conservação de energia e eficiência energética, a par das energias renováveis mais sustentáveis, preparando-se para uma verdadeira revolução energética ao longo da próxima década, também aqui citada em Copenhaga pelo Primeiro-Ministro e que a Quercus tem reivindicado.
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Blogar isto
Acordo de Copenhaga
.In: Conferência de Copenhaga LEIA MAIS IN: http://copenhaga.blogs.sapo.pt/
Árvore: transplantada da net

2009-12-18

O "BARBEIRO" de... GIOACCHINO ROSSINI


.GIOACCHINO ROSSINI é basicamente um extraordinário músico de Teatro, um autêntico compositor de Ópera.
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Será mesmo pacífico colocá-lo ao lado de VERDI e de PUCCINI, formando-se deste com eles o trio dos maiores nomes da Ópera italiana do Século XIX - e até de sempre.
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Contudo, haverá que lembrar que se trata neste caso de compositores com estéticas quase diametralmente opostas, podendo dizer-se - em termos biográficos, acerca do carácter e da forma de estar na Música e na vida destes três Mestres da Ópera - que, para além do palco, pouco mais terão em comum.
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Rossini será, sem dúvida, aquele que mais terá herdado técnicas e formas de expressão da velha Ópera italiana que pôs o mundo da música em delírio nos Séculos XVII e XVIII, e que, de certo modo, acabaria - quase que também à maneira dos dinossauros... - quando esse mesmo mundo foi atingido por um cometa chamado MOZART!
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De um momento para o outro, essa tradição operática tornou-se caduca, pois Mozart também alterou - quase que de um momento para o outro - o grau de exigência dos públicos: mudaram-se os gostos, mudaram-se as vontades...
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E mudou-se muito o fenómeno da Ópera, sem com isso deixar, em alguns aspectos, de continuar a ser encarado por muitos apreciadores como o maior Espectáculo do Mundo...
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Depois de Mozart e de Haydn, a grande revolução ideológica inicialmente gerada em França - e que daria abalo, pelo menos a toda a sociedade ocidental - modificou por completo toda uma série de princípios e de estatutos, deu origem ao Movimento Cultural do Romantismo e a grande música aderiu de forma inequívoca às novas correntes de pensamento através da obra paradigmática de BEETHOVEN.
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De Beethoven, partiu-se para SCHUBERT, para WEBER ou MENDELSSOHN, a música diversificou-se por estéticas até contrastantes - mas todas conciliáveis com o espírito romântico -, através de figuras como Schumann, Berlioz ou Brahms; chegou-se depois a Wagner, Bruckner ou ainda ao próprio Mahler, se bem que estes já percorressem abertamente os caminhos inspirados por novas revoluções...
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E deste modo, a estética enraizadamente italianizada de Rossini estaria condenada a surgir como pura obstinação, um resto reaccionário do passado, uma homenagem serôdia a Salieri, Caldara, Cesti e outros assim...
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Felizmente, existe algo de muito mais poderoso e actuante do que a opção por um determinado estilo. E a esse fenómeno chama-se ' génio '!... ora, o génio e uma criatividade transbordante - aliados, nalgumas situações, a um sentido de humor não menos acerado pelo facto de se exprimir por sons - era algo que nunca faltou a Rossini.
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Sem dúvida, o compositor italiano dispunha também de uma técnica profissional que lhe permitiria abraçar outros estilos e outra formas claramente distanciadas do espírito da Ópera italiana. E até experimentou fazê-lo.
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Mas essa ópera com raízes no passado era, de facto, o seu verdadeiro mundo - o que não o impedia de criar toda uma série de situações originais e surpreendentes.
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Não por acaso, Rossini encontrou-se um dia em Viena com Beethoven e será mesmo de prever que o então jovem nem excluísse ser alvo de uma reacção menos simpática por parte do Mestre, não propriamente um entusiasta consabido da Ópera à velha maneira italiana...
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Com alguma surpresa, no entanto, Beethoven dirigiu-lhe a palavra muito cordialmente e perguntou:
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- Você é que é o autor do "Barbeiro de Sevilha"?
- Sim, de facto sou eu, ainda que o assunto do libretto já tenha tido outros tratamentos, como decerto sabe...!
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É evidente que Beethoven sabia, sobretudo no que dizia respeito a essa ópera fascinante e excepcional que se chama "As Bodas de Fígaro", da autoria de Mozart...
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Mas, nesse momento, Beethoven estava mesmo a falar no "Barbeiro de Sevilha" de Rossini e disse-lhe muito directamente:
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- Se quer um conselho, continue nessa linha. Componha muitos "Barbeiros de Sevilha", pois é a fazer isso que você é francamente bom... ou mesmo incomparável!
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Rossini esboçou um agradecimento comovido e Beethoven terá comentado ainda, segundo consta:
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- O Mundo e a Música... estão a precisar de mais "Barbeiros de Sevilha"!
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O Mundo está sempre a precisar de figuras luminosas, divertidas - sem contudo deixarem de ser sérias com o seu trabalho -, com a admirável espontaneidade e o genuíno talento de Rossini, contra as vagas de soturnidade
e tédio musical com que somos
frequentemente
bombardeados (...)
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- Imagens seleccionadas na internet
- Texto produzido com audição inspiratória em Il Barbiere di Siviglia - Overture
da Munchener Symphony Orchester
Conductor: Alfred Scholz


2009-12-17

[SEDE... ] SERES DECENTES (...)

.General António Ramalho Eanes

.(Ex- Presidente da República Portuguesa)




.«SERES DECENTES».

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Quando cumpria o seu segundo
mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe
apresentada pelo Governo uma
lei especialmente congeminada
contra si.

O texto impedia que o vencimento do
Chefe do Estado fosse «acumulado
com quaisquer pensões de reforma
ou de sobrevivência» públicas que
viesse a receber.
Sem hesitar, O texto visado promulgou-o, impedindo-
se de auferir a aposentação de militar para a
qual descontara durante toda a carreira.
O desconforto de tamanha injustiça levou-o,
mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há
pouco, se pronunciaram a seu favor.
Como consequência, foram-lhe disponibilizadas
as importâncias não pagas durante catorze
anos, com retroactivos, num total de um milhão
e trezentos mil euros.
Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu,
porém, prescindir do benefício, que o não era
pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados
- e não aceitou o dinheiro.
Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à
corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância,
Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma
esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo,
no arranjismo que o imergem, nos imergem
por todos os lados.
As pessoas de bem logo o olharam empolgadas:
o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de
ânimo em altura de extrema pungência cívica, de
dolorosíssimo abandono social.
Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento
afim, quando se negou a subscrever
um pedido de pensão por mérito intelectual que
a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de
Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situ -
ação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não,
não peço. Se o Estado português entender que a
mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a.
Mas pedi-la, não. Nunca!»
O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria,
pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e
primeiras páginas de periódicos) explica-se pela
nossa recalcada má consciência que não suporta,
de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.
“A política tem de ser feita respeitando uma
moral, a moral da responsabilidade e, se possível,
a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável
“preservar alguns dos valores de outrora, das
utopias de outrora”.
Quem o conhece não se surpreende com a sua
decisão, pois as questões da honra, da integridade,
foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário
e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta
- acrescentando os outros.
“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará,
“fora dela. Reagi como tímido, liderando”.
O acto do antigo Presidente («cujo carácter e
probidade sobrelevam a calamidade moral que
por aí se tornou comum», como escreveu numa
das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos)
ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida,
pervertida ética.
Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o
bastão de Marechal) preservou um nível de di -
gnidade decisivo para continuarmos a respeitar-
-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível
ao futuro dos que persistem em ser decentes. _
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Crónica
Fernando
Dacosta

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.Nota:
.Nunca será demais repetir informação de gestos íntegros e exemplares de grande cidadania!
Pedimos desculpa ao escritor Fernando Dacosta, por reproduzirmos esta sua Prosa na disposição gráfica de Poema.
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Infelizmente, acontece que a designação de carácteres desta qualidade, é conotada como pertença apenas
(...) de: «Poetas...!»

ALGO DE PODRE CHEIRA NO REINO DA DINAMARCA?

.«Dinamarca!... país de Castelos, Reis e Príncipes. A Terra mágica... dos "sonhos arianos..." ! »
.<.
.= O PLANETA... SAFA-SE SEMPRE...!! =
. .(...) estaremos... em 'boas mãos'...!? (...)

.Ministra do Ambiente, Connie Hedegaard.


. "POLÍCIA DINAMARQUESA...! HERANÇA... 'VIKING' ?"





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Connie Hedegaard demitiu-se da Presidência da Cimeira de Copenhaga
16.12.2009
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O Primeiro-Ministro dinamarquês, Lars Loekke Rasmussen, assumiu hoje a presidência da conferência climática das Nações Unidas de Copenhaga (7 a 18 de Dezembro), substituindo a Ministra do Ambiente Connie Hedegaard.

.Esta alteração, classificada com técnica pela organização dinamarquesa, foi anunciada durante a sessão plenária por Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção da ONU sobre Alterações Climáticas.
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“Com tantos chefes de Estado e de Governo a chegar, é apropriado que seja o primeiro-ministro da Dinamarca a presidir”, justificou Hedegaard na sessão onde estavam representadas 193 nações.“Contudo, o primeiro-ministro nomeou-me como sua representante especial e, assim, vou continuar a negociar... com os meus colegas”, acrescentou, sublinhando que esta alteração é meramente processual.
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Hedegaard, apontada para o novo cargo de comissária europeia para o Clima, tem sido criticada várias vezes pela forma como presidia os trabalhos, sendo as vozes mais críticas as dos países em desenvolvimento, que a acusam de favorecer os países ricos nas negociações. Estes denunciam, nomeadamente, uma “falta de transparência” por ter organizado, no fim-de-semana passado, reuniões ministeriais restritas numa altura em que a maioria dos ministros ainda não tinha chegado a Copenhaga.
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Esta manhã, o embaixador francês para o clima, Brice Lalonde, lamentava a diferença entre o “desejo da presidente em avançar e o ritmo muito formal da ONU”.
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Aberta com grandes ambições, a cimeira de Copenhaga pode não chegar a nenhum acordo, ou pior, a um acordo sem futuro. Por seu lado, os cépticos do clima contestam o próprio tema da conferência.
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Revista de imprensa.

.Num gesto sem precedentes, e por iniciativa do The Guardian, “56 jornais de 45 países deram o passo inédito de falar a uma só voz através de um editorial comum".
"Fazemo-lo porque a humanidade enfrenta uma terrível emergência”, explica o texto.
“Os políticos em Copenhaga têm o poder de moldar a opinião da História sobre esta geração.”
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Mas nada é menos certo do que um acordo global sobre a redução das emissões de CO2 entre os 192 países representados. E neste caso, previne o cientista James Hansen no The Guardian, o resultado seria tão imperfeito que seria preferível recomeçar do zero.
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"Se terminarmos com algo parecido com Quioto, as pessoas vão passar anos a tentarem perceber o que significa". Para o director do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, o aquecimento global é como o nazismo ou a escravidão: "é o tipo de questão sobre a qual não pode haver compromissos".
.Vislumbram-se dois cenários possíveis, prevê o Polityka. O cenário negro, desenvolvido pelo norte-americano Bruce Bueno de Mesquita, em The Predictioneer's Game, baseia-se na teoria dos jogos, temendo que os países procurem apenas o seu próprio interesse e sejam cada vez menos propensos a procurar um acordo.
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O outro cenário, traçado pela galardoada do Prémio Nobel da Economia, Elinor Ostrom, num relatório para o Banco Mundial, aposta em iniciativas locais e na cooperação entre cidades e regiões do mundo para combinar elevados níveis de vida, protecção do ambiente e fracas emissões de CO2.

.Inventar um polícia mundial do clima

.De qualquer modo, será sempre difícil de fazer aplicar qualquer acordo. Como observa o cronista sueco Martin Ådahl, na Fokus, o Protocolo de Quioto, mais vinculativo que o texto em debate em Copenhaga, "não é aplicado pelos signatários". Por exemplo, "o Canadá, que se tinha comprometido em diminuir 6% das emissões até 2012 aumentou-as em 28%”.
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"Quais são as sanções para os países que não respeitam os seus objectivos de redução?", interroga-se o Libération.
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"É necessário inventar um polícia mundial do clima", encarregado de controlar os compromissos assumidos.
.O problema, nota o diário francês, consiste em criar a “superestrutura” mais relevante para esta missão.
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"Empresas privadas? Instituições da ONU? Os anglo-saxões militam para que seja o Banco Mundial a fazê-lo. Outros querem designar o Fundo Mundial para o Ambiente".
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"Podia ser criado um ICF – Internacional Carbon Fund (fundo internacional de emissões de carbono)”, responde Martin Ådahl, na Fokus. Tal instituição, baseada no modelo de Bretton Woods para a economia, teria por missão "verificar as emissões, supervisionar os mercados regionais e estabelecer um sistema de sanções, modelados segundo as regras de mercado livre da Organização Mundial do Comércio".
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Em qualquer caso, declara o jornalista sueco, "é necessário afastar os diplomatas e envolver os economistas. Os diplomatas reflectem apenas nas vírgulas e adjectivos, fazem muito poucos diagramas e curvas. Deixem os políticos fixar os limites e os economistas fazerem o trabalho."

.Críticas sobre a noção de aquecimento climático
.Às dúvidas sobre o que a cimeira de Copenhaga pode alterar, acrescenta-se uma crítica crescente sobre a própria noção de aquecimento climático. Na Holanda, o escritor Leon de Winter espraia-se longamente, no NRC Handelsblad, na denúncia do “pensamento messiânico segundo o qual a humanidade deve ser protegida contra ela própria".
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"Desde 1998 que a temperatura do planeta deixou de aumentar", argumenta De Winter, utilizando dados criticados pela maior parte dos cientistas.
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"Antes de nos comprometermos na restrição da livre circulação de pessoas e mercadorias de forma drástica, devemos dar ouvidos à sensatez da história [...] mas essa sensatez parece ameaçar pessoas e organizações [...] que têm interesse em que o Climategate seja minimizado", considera, numa referência à controvérsia sobre emails que demonstram que uma equipa de cientistas sonegou deliberadamente dados que contradizem a tese do aquecimento.
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Em vez de se focarem no CO2, Leon de Winter aconselha a interessarem-se por “outros gases com efeitos de estufa [...], o efeito regulador das nuvens [...], as manchas solares, as correntes oceânicas e as variações do eixo planetário.
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Por outras palavras: um conjunto de factores extremamente complexos, quase impossíveis de captar num modelo informático".

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Uma ideia apoiada pelo céptico do clima, o dinamarquês Bjorn Lomborg. A ideia de reduzir as emissões de CO2 através da instauração de impostos sobre o carbono é como“atrelar um cavalo a uma autocaravana“, escreve o perito em Estatística no Hospodářské Noviny.
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Valia mais, na sua opinião, investir na investigação das energias alternativas. Os verdadeiros desafios de Copenhaga seriam então:
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“a) encontrar os meios para deslocar a energia das regiões onde as radiações solares são mais intensas e ventos sopram mais fortes para as regiões onde vivem mais pessoas,
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b) inventar um sistema de armazenamento, para que o mundo tenha energia mesmo quando o sol não brilha e o vento não sopra.”
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Amadeu Garcia, um leitor do Jornal Destak, publicou uma carta do seguinte teor:
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- «Ouvi uma jornalista dizer uma frase que me causou alguma estranheza. Todavia, concluo que é uma ideia muito proliferada e, como tal, como na tropa, já adquiriu posto de "verdade". Dizia o jornalista, em jeito de conclusão de uma notícia sobre alterações climáticas, que a Terra está em perigo, que urge pois salvá-la. (...)
A frase demonstra bem a forma como grande parte da Humanidade ainda vê o seu lugar na terra. O ser humano acha-se tão importante e tão central ao ponto de pôr em risco a existência do Planeta! Apesar do que já avançou no conhecimento sobre funcionamento da Terra como sistema, insiste em esquecer-se de que é mais um dos seus habitantes. Importante, sem dúvida, mas uma peça da engrenagem. A Terra é muitíssimo mais velha do que o Homem ou qualquer outra forma de vida e tem sobrevivido para retomar a Vida.
O erro do jornalista e consequentemente de todos nós é pensarmos que a Terra está em perigo, quando é a nossa existência e em última análise a Vida que corre esse risco. A Terra essa tem outra agenda. Talvez uma mudança de perspectiva e um pouco mais de humildade ajude o Homem a tomar as decisões correctas. Mais não seja virar os canhões para si próprio.»
.Um raciocínio digno de registo e de reflexão. Entretanto, o mundo e os ambientalistas ficam animados com a presença de Barack Obama no último dia de Copenhaga.
Contam com a influência útil na possibilidade de três desfechos possíveis para a Cimeira de Copenhaga, que passam pela falta de entendimento total; o acordo fraco e sem obrigatoriedade; ou o consenso ambicioso e vinculativo!
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Há que afastar a ideia de fracasso e acredita-se que a presença de Obama no último dia é um bom presságio! Sobretudo para as nações mais frágeis, as africanas, que estão a perder terreno sobre o conseguido da assinatura de Quioto em 1997.
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Argumentou-se que parece claro que a presidência dinamarquesa estará a privilegiar os interesses dos mais ricos...!
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Parece-me que se estão a ter demasiadas expectativas no Presidente dos Estados Unidos da América! Acho que se está a exigir demasiado da pessoa daquele político. É a eterna e constante má sina do messianismo de que alguém terá de pensar e fazer as coisas por nós!
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Alguma esperança o Homem da Casa Branca [NOBEL da PAZ] traga aos manifestantes
da cidade de Copenhaga:
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- Pode ser que nesse dia..., a Polícia [Viking]
Dinamarquesa,...
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não bata tanto... no "ceguinho"...!!
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Fontes consultadas:
- 'Público'; 'El País'; 'Destak'.
- Imagens: El País e Internet.

2009-12-15

« AMOR de PASSAGEM !... "SINE DIE" (...) »




.Aos 99 anos de idade... perguntaram-lhe:
"Foi o grande amor da sua vida ? "
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" AINDA É...! "




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- “Estão amarelecidas as folhas dactilografadas que te mandei naquele Outono de 1944, e esbatido pelo tempo o vermelho da tinta com que foram escritas. Estão amarelecidas, e quase ilegível o que te contei. Mas conservam ainda manchas do bolo em que as introduzi”.
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As palavras foram escritas por MANUELA CÂNCIO REIS, mulher de SOEIRO PEREIRA GOMES, e estão bem preservadas na sua memória. Aos 99 anos Manuela Câncio Reis, a mulher que fez o escritor neo-realista rumar a Alhandra para um casamento que durou escassos anos, cortado abruptamente pela necessidade de fuga ao regime, repete memórias que transcreveu para um livro: “Eles vieram de madrugada – cartas para a clandestinidade a Soeiro Pereira Gomes”, publicado em 1981.
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Recorda o dia em que o escritor ligado aos ideais do Partido Comunista Português teve que “dar o salto”. E lembra cada palavra desse livro que escreveu a pedido do marido. Manuela Câncio Reis está hoje deitada numa cama. Conserva uma lucidez intocável e um sentido de humor refinado, numa casa de repouso algures na Parede. Tem olhos azuis vivos e o dom da palavra. “Fechei a porta devagar, como se no largo ainda deserto o leve estalido do trinco pudesse atrair olhos tenebrosos para a nossa casa já vazia. Fiquei a escutar o ruído do táxi que se sumira na curva, levanto-te rumo à estrada. No rosto sentia ainda o calor dos teus beijos, no frenesim da despedida, e nos ombros a pressão do longo abraço que me deste tentando deixar comigo um pouco da coragem que levavas. «Serão apenas umas semanas», disseste”.
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E as semanas transformaram-se em meses e anos. Em bilhetes transportados na escuridão da clandestinidade. Medo e ansiedade foram palavras que passaram a fazer parte do dia a dia da jovem de Alhandra.
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O “pai” do Gineto, do Gaitinhas e do Maquineta de “Esteiros”, que tocava na guitarra as canções de Coimbra, onde estudou, tinha partido. A casa de família, à beira Tejo, estava agora vazia. Sem o olhar atento do escritor que acompanhava a vida dura dos operários meninos. “Um dia, na nossa primeira casa, abeirou-se da janela que dava para os telhais, em Alhandra. Enquanto apertava o cinto e ajeitava a gravata, sem tirar os olhos da fábrica, disse, ‘eu tenho que lá ir’”, conta Manuela Câncio Reis a recordar os breves tempos de casada na sua Alhandra Natal.
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A informação que Soeiro Pereira Gomes recolhia nos telhais era matéria-prima que tratava nos tempos livres. Quando não estava ocupado com o trabalho de chefe dos empregados de escritório da fábrica Cimento Tejo, cargo que ocupou a substituir o pai da mulher, depois de vir de África onde esteve durante um ano na companhia de Catumbela (Angola) em 1930 para conseguir algum dinheiro para o casamento.
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Em casa, enquanto Manuela Câncio Reis escrevia músicas no piano a cumprir o contrato com a emissora nacional, Soeiro trabalhava nos manuscritos. “Engrenagem” estava então em processo acelerado de escrita. Embrenhava-se o escritor contra a “ordem do Estado novo de Salazar”. Os dois escritórios eram divididos pelo corredor da casa que não era suficiente para impedir o som do piano de alastrar. “Muitas vezes lhe transtornei o trabalho”, lembra-se incomodada Manuela Câncio Reis, com dedos compridos e moldados por muitos anos de teclado de máquina de escrever e piano. “Uma vez começámos os dois à gargalhada. Ele perguntava: ‘olha lá, nunca mais acabas de tocar essa nota? Estou ali à espera para conseguir escrever’ …(risos). Acabei por colocar a surdina no pedal do piano”, confessa.
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Na casa térrea, perto do Tejo, em Alhandra, Manuela Câncio Reis tinha sardinheiras em flor. Ainda não usava as molduras das fotografias para lembrar os seus “mortos”. Sobre a televisão, oferecida por uma prima, que lhe faz companhia na casa de repouso, estão duas imagens de Soeiro Pereira Gomes, nascido em Gestaçô, Baião, no Porto, mas que uma paixão trouxe a Alhandra. É o homem que por quem se apaixonou antes mesmo de o ver, mas que não reconheceu quando o foi visitar sob disfarce ao hospital, ainda na clandestinidade, mas já atingido nos pulmões pela doença que o vitimou. Joaquim Pereira Gomes nasceu a 14 de Abril de 1909 e partiu demasiado cedo, a 5 de Fevereiro de 1949. “O seu grande mal foi ter-se metido na política”, diz a mulher que lhe reconhece a entrega à causa da justiça e da luta contra a miséria. “Foi o grande amor da sua vida?”, pergunta-se-lhe. “Ainda é”, atesta Manuela Câncio Reis. E os olhos regressam à fotografia.
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UM ROMANCE INTERROMPIDO PELA CLANDESTINIDADE
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Manuela Câncio Reis e Joaquim Soeiro Pereira Gomes apaixonaram-se antes mesmo de se conhecerem. O estudante que se consagrou como um dos grandes vultos da literatura neo-realista era camarada do irmão da futura esposa na Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra. O que sobre um e outro se dizia, e algumas fotografias, já provocavam admiração e interesse. Depois foi amor à prima vista na véspera do baile de finalistas na cidade dos estudantes. O vestido longo, encomendado num dos melhores costureiros de Lisboa, fez furor. O casamento aconteceu três anos depois, em Coimbra. Depois de uma visita que entretanto Joaquim Soeiro Pereira Gomes fez à Quinta da Viúva Câncio, avó de Manuela, na zona de Alhandra, que ainda hoje mantém o tanque onde os netos se banhavam nas tarde quentes de Verão. “Ele escreveu o nome na areia. Não se declarou, por respeito, estava na quinta a convite da família”, recorda Manuela Câncio Reis.
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Entre o vestido branco com festa de casamento convencional e uma viagem, oferta do pai, Manuela Câncio Reis escolheu a Lua-de-mel. Início de uma curta vida a dois, ditada pela saída repentina de Soeiro Pereira Gomes, filho de uma família de agricultores do Douro, para a clandestinidade.
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Muito à socapa, depois da fuga de Joaquim e da saída da prisão de Manuela encontraram-se por uns momentos, de fugida, em Lisboa, em casa de uns parentes do Zé Ralha, conta a sobrinha Isabel Câncio Reis Nunes em “Passagem”, uma biografia de Soeiro Pereira Gomes. E por breves momentos na pousada da Urgeiriça. Da prisão de Manuela nunca falaram. Os filhos nunca chegaram porque o casal procurava uma vida mais desafogada para constituir família. Os anos clandestinos foram duros para ambos. E não mais voltaram a ser marido e mulher.
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“Como era agradável o nosso quarto com o seu tom rosa-velho e a sua janela em que espreitavam os gerânios quando abrias as vidraças, manhã cedo. Fazias ginástica e eu ficava a ver, meio ensonado, o teu corpo bem feito entregue aos exercícios a que o obrigavas todos os dias”, escreveu Manuela Câncio Reis sobre o marido. “Não gostavas de certos pratos. Por mais que disfarçássemos o pargo de ‘pescada’ ou de ‘goraz’ nunca te deixavas levar. “Cá está o crocodilo’, dizias no teu jeito brincalhão.
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CÁRCERE NO HOSPITAL E A RAPARIGA DAS TRANÇAS
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Manuela Câncio Reis, companheira de Soeiro Pereira Gomes nos anos que antecederam a saída para a clandestinidade, nunca conheceu o paradeiro do escritor neo-realista, mas nem isso impediu que a então jovem alhandrense conhecesse os martírios de um cárcere.
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Já antes de Soeiro Pereira Gomes “saltar fora” sentia no uivar da sereia da fábrica prenúncio de má sorte. “Colhi uma braçada de sardinheiras. Pus flores em todas as jarras. E fechei o piano”, escreve. À saída repentina do marido seguiu-se a sua prisão. “Eles vieram de madrugada”, diz o título do seu livro, fiel à realidade. Às três da manhã soaram murros na porta da rua. A casa invadida por perguntas e remexida e uma mulher doente pela partida do bem amado. “Fui levada para o hospital como refém”, conta Manuela Câncio Reis.
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Havia três camas de cada lado e um biombo a tapar a janela. “Na cama que me ficava em frente já tinham instalado a senhora cujo sangue lhe escorria pelo nariz e pela boca”.
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Na prisão hospital, um antigo palacete, onde uma tia, irmã da mãe se tinha suicidado, os percevejos eram também inquilinos. E de um rosto claro e pele delicada fizeram poiso. Lugar odioso onde se servia um púcaro de leite em que nadavam pedaços de nata amarela e um bife uma vez por semana.
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Era companheira de quarto, no hospital feito prisão, a rapariga da grossa trança doirada que se ali se sentia feliz, longe da violência do marido que a arrastava pelos cabelos. “Quem me dera ficar cá por muito tempo. Dizem que estou muito doente, mas não sei”, confessava a amiga na desventura e na caça aos percevejos que matavam juntas.
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A prisão deixou marcas na mulher que pouco depois deixou Alhandra e partiu para Lisboa. “Recosto-me no maple em que repousavas nas horas de maior cansaço. Mas onde estão os dedos que passavam pelos meus cabelos, quando me anichava a teus pés, escutando coisas com que sonhavas para o futuro?”. “‘Depois de mais um ou dois romances, vou escrever livros para crianças’, dizias às vezes”.
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UMA MULHER À FRENTE DO SEU TEMPO
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A ausência de Soeiro Pereira Gomes foi demasiado dolorosa para Manuela Câncio Reis, que deixou Alhandra. Partiu para Lisboa em busca de um emprego que lhe permitisse a independência e também o auxílio aos pais.
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O conhecimento de línguas ajudou-a. Sabia tocar piano e a elasticidade dos dedos facilitou-se a aprendizagem de dactilografia. Foram tempos difíceis. Passou alguma fome. “E quando passava por uma padaria e me vinha um cheirinho a bolos e pão quente?”, recorda sem marcas de revolta.
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Virgílio Barroso, um matemático irmão de Maria Barroso, ligação entre os dois esposos separados pelo muro da clandestinidade, passou de intermediário a segundo marido. O casamento com o pai de Alfredinho, que acabou por falecer vítima de um problema cerebral, durou pouco. Manuela partiu para o divórcio, já separada de facto, ajudada por Avelino Cunhal, pai de Álvaro Cunhal, porque o marido se recusou a autorizar que viajasse para o estrangeiro (requisito à época necessário).
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Manuela Câncio Reis ficou alojada em pensões em Lisboa e trabalhou como secretária na Campos Ferreira, exportador de vinhos, que compensar os funcionários pelas horas extraordinárias com espumante e jantar do Gambrinus, um restaurante luxuoso de Lisboa. Foi Campos Ferreira que lhe disse que partisse e aproveitasse as últimas horas com o marido – quando lhe chegou a notícia de que Soeiro Pereira Gomes estava prestes a sucumbir. Quando chegou ao Norte já o escritor tinha partido. Desta feita, sem promessa de regresso.
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ESTEIROS, A INSPIRAÇÃO DE UM ESCRITOR
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“Esteiros. Minúsculos canais, como dedos de mão espalmada, abertos na margem do Tejo. Dedos das mãos avaras dos telhais, que roubam nateiro às águas e vigores à malta. Mãos de lama, que só o rio afaga”.
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Joaquim Soeiro Pereira Gomes imortaliza assim em “Esteiros” (1941) a vida dos “garotos maltrapilhos” a quem as solitárias mães proibiam brincadeiras para evitar que os filhos sorvessem duas sopas ao jantar. Romance paradigmático do movimento neo-realista que o escritor dedicou aos filhos dos “homens que nunca foram meninos” sujeitos a trabalhos forçados, à fome e ao rigor do sol e da chuva.
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O nadador campeão Baptista Pereira, “Gineto” dos “Esteiros”, ia às quintas como outros tantos meninos roubar laranjas. “Chegou a cruzar-se com a minha avó, carregado, tapava o rosto com as mãos e dizia: ‘Muito boa tarde minha senhora”’, recorda Manuela Câncio Reis.
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“Cabelo em desalinho, gravata às três pancadas, os sapatos enlameados, mãos sujas da pá com que escavavas a charca ao lado dos trabalhadores. Andavas numa azáfama, planeando, organizando coisas para o bem dos outros. Desesperado com a falta de recursos, mas lutando sempre contra os preconceitos, contra más vontades, contra a guerra de sapa que já te movia quem não se encarava com bons olhos”, escreve a esposa que partilhou a casa em Alhandra, frente aos telhais, onde o escritor se inspirou para a obra.
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“Há que ter fé nos homens. Nem toda a gente é má”, augurava o escritor. “Melhores dias hão de chegar”. Dizia a sonhar com o dia da liberdade. Um dia que, para Soeiro Pereira Gomes, que partiu a 1949, chegou tarde demais. Tão só na madrugada de 1974.
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QUARTEL-GENERAL NUM MOINHO RIBATEJANO
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No final dos anos 30 do século XX Soeiro Pereira Gomes adere ao PCP. Ingressa na célula da empresa e pouco depois integra o comité local de Alhandra. Na sua casa, em Alhandra, reuniam-se intelectuais. Enquanto o regime de Salazar tentava abafar o holocausto Soeiro Pereira Gomes abria a janela da sua casa de um só piso, em Alhandra, para que os populares escutassem na rádio a informação da emissão portuguesa da BBC, às 21h00, já que os cafés estavam proibidos de ligar os aparelhos de rádio àquela hora.
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António Dias Lourenço foi um dos companheiros nos passeios de intelectuais no Tejo até ao palácio das Obras Novas, em Azambuja.
“Podia-se conversar à vontade e discutir sem perigo largos problemas ligados à luta anti-fascista” escreve o ex-director do jornal “Avante”.
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Já na clandestinidade, a partir de um moinho, situado entre Vaqueiro e Pernes, Joaquim Soeiro Pereira Gomes, como responsável do Comité Regional do Ribatejo, promoveu a constituição e acompanhamento, entre 1945 e 1946, dos Comités Locais de Santarém, Vale Figueira, Alpiarça, Rio Maior, S. João da Ribeira, além de núcleos na Marmeleira e na Ribeira de Santarém.
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EXPOSIÇÃO EM ALHANDRA
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Uma exposição sobre o percurso do escritor neo-realista Soeiro Pereira Gomes, que viveu em Alhandra, foi inaugurada a 19 de Abril até 7 de Maio p.p., na Galeria Augusto Bértholo, no Museu Sousa Martins. O evento pretendeu assinalar os 100 anos do nascimento do autor, abordando a obra literária, mas também a dedicação à terra daquele que foi filho adoptivo, mas trouxe inúmeros benefícios.
.O homem que ajudou a construir a piscina de Alhandra [iniciativa, recolha de fundos e trabalho braçal] para que se evitassem as correntes traiçoeiras do Tejo, participou no processo de alfabetização das gentes da terra e ajudou a reunir o espólio das bibliotecas do Alhandra Sport Club e da Sociedade Euterpe Alhandrense que continuam desactivadas (!) ...
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[Apenas se deu a um pequeno Luxo: - fez questão de a sua amada, ser a primeira pessoa a mergulhar na piscina!... (a foto do post anterior em fato de banho, terá algo a ver com isso)]
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[Depois das "postagens" de ontem,... era um "must" publicar este texto]
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- IMAGEM obtida na: Internet
- Texto adaptado de:www. omirante.pt